Os problemas dermatológicos são um dos problemas mais comuns que ocorrem nos animais de companhia. Desde uma simples queda de pêlo ou seborreia, passando por problemas causadores de comichão (prurido) e de peladas até tumores cutâneos, são muitos e variados os problemas dermatológicos. Além disso, a saúde da pele muitas vezes reflecte problemas internos como por exemplo problemas endócrinos e leishmaniose. Para que estes problemas possam ser abordados da melhor forma possível, é importante obter uma história clínica completa e realizar um bom exame físico geral e dermatológico, a base fundamental para o início de qualquer processo diagnóstico. Por exemplo, face a um animal com prurido, é importante saber onde se localiza o prurido, qual a sua intensidade, duração, sazonalidade, contacto com substâncias tóxicas, lesões no agregado familiar, com que frequência e com que produto realiza as desparasitações externas… Além da história clínica é muito importante realizar um bom exame físico e dermatológico. De acordo com os dados da história clínica e com as lesões presentes, o Médico Veterinário com certeza terá necessidade de recorrer à realização de exames complementares. O Médico Veterinário poderá achar necessário realizar tricogramas para confirmar a existência de prurido, para ver o estado do pêlo e a fase do ciclo folicular em que se encontra. O tricograma poderá ser o suficiente para detectar ácaros como o Demodex sp e por vezes fungos. No caso de lesões pruriginosas, é importante a realização de raspagens dermatológicas para pesquisa de ácaros. 
Fig. 1 – Material necessário para a realização de raspagens em lesões alopécicas (quando com pêlo, realizar tricotomia antes) 
Fig. 2 – Demodex canis – ácaro responsável pela sarna demodécica. As citologias de pele e auriculares são também um meio complementar de diagnóstico importante, útil em casos de lesões pruriginosas. Devem ser realizadas para diagnóstico de infecções cutâneas, identificação de leveduras e, em alguns casos, diagnóstico de patologias imunomediadas.

Fig 3 – material necessário para a realização de citologias cutâneas.

Fig. 4 – Otodectes cynotis detectado numa citologia auricular. É também importante excluir dermatofitoses. A utilização da Lâmpada de Wood é uma das formas de detecção de fungos. Infelizmente, não nos permite excluir de forma definitiva este tipo de patogénios tendo para isso que realizar-se culturas fúngicas. Fig 5 – Material necessário para a realização de uma cultura fúngica. O pêlo deve ser cortado e o local desinfectado com álcool a 70%. A observação dos esporos resultantes da cultura de fungos permite-nos identificar o fungo presente. Fig. 6 – Esporos de Microsporum canis. Além do tipo de exames complementares descritos até aqui, em casos de animais com prurido, poderá ser necessário despistar alergias como por exemplo atopias e reacções adversas aos alimentos. As reacções adversas aos alimentos deverão ser diagnosticadas através da administração de uma dieta de restrição (de preferência com proteínas hidrolisadas) durante um período de tempo, e posterior administração da dieta anterior. Para diagnóstico de atopias recorremos a um laboratório externo que detecta o receptor Heska®, sendo este comprovativamente o método de detecção de alergenos mais fiável. Outros meios complementares de diagnóstico úteis em dermatologia são as análises clínicas gerais, indispensáveis na identificação de patologias endócrinas e de processos sistémicos que cursem com lesões cutâneas. As Biópsias Cutâneas são por vezes necessárias para podermos diagnosticar neoplasias, processos imunomediados, alterações de queratinização, etc. O Pantufa é o exemplo vivo de que as alterações cutâneas podem ser uma manifestação de outro tipo de patologias. O Pantufa apresentava alopécia simétrica bilateral que envolvia todo o tronco, abdómen e cauda. Permanecia com pêlo apenas na cabeça e membros.
  Fig. 7 e 8 – Pantufa; alopécia simétrica bilateral. 
Fig 9 – Pantufa; imagem dos testículos demonstrando a diferença de tamanho. O caso do Leão é outro exemplo em que se teve que recorrer à biópsia e análise histopatológica para obter um diagnóstico definitivo. O Leão apresentava aumento da extensibilidade e fragilidade cutânea, lesionando a pele com bastante facilidade. Após a medição do índice de extensibilidade cutânea que estava aumentado, realizou-se uma biópsia que confirmou o diagnóstico de astenia cutânea. 
Figuras 10 e 11: hiperextensibilidade da pele típica da astenia cutânea demonstrada na face e prega toracodorsal.
 Figuras 12 e 13: hiperextensibilidade da pele típica da astenia cutânea demonstrada no cotovelo e prega cervical. A pele é o maior órgão do corpo, e como foi demonstrado, os problemas de pele podem não ser apenas estéticos. Como tal, deve-lhes ser dada a devida importância. |