O coração é um órgão muscular, que trabalha com contracções promovidas a partir de um impulso eléctrico. Este impulso percorre as células musculares cardíacas criando um fluxo de corrente eléctrica. O electrocardiograma (ECG) regista as ondas eléctricas que são geradas para a contracção cardíaca (figura 1 e 2). Ao estudarmos as ondas formadas sabemos não somente se o coração está a contrair a um ritmo adequado, como também se cada onda se forma no momento apropriado e da forma correcta. Estudos de detalhe destas ondas mostram-nos se é necessário alguma providência, algum acerto, ou realizar outras provas de diagnóstico, para que possamos diagnosticar a patologia cardíaca em questão e tratá-la da forma mais correcta (figuras 3 e 4). A melhor utilização do ECG não é a de corrigir as doenças, mas sim, de prever o aparecimento das mesmas.
Em que casos se deve fazer um electrocardiograma? Animais com idade superior a 6 anos (anualmente); Antes, durante e após a cirurgia; Doença periodontal (dentes com tártaro, gengivas sangrantes e mau hálito); - Doenças purulentas: (piodermatites, piómetra, abscessos de pele, prostatite, etc.);
- Início agudo de dispneia (dificuldade respiratória);
- Arritmias detectadas durante a auscultação;
- Presença de sopros cardíacos;
- Cardiomegália detectada em Rx;
- Choque, coma, estupor;
- Desmaios e convulsões;
- Congestão (mucosas vermelho tijolo) e cianose (mucosas azuis);
- Trauma torácico: atropelamentos, lutas entre cães, etc.;
- Doenças sistémicas: miocardite, pancreatite, insuficiência renal crónica (IRC), neoplasias, etc.;
Fig. 1 – Execução de um electrocardiograma Fig. 2 - ECG ilustrando o traçado normal de um gato. Fig. 3 - ECG de um Cocker spaniel de 11 anos, ilustrando um bloqueio atrioventricular de primeiro grau (aumento da duração do intervalo P-R)
Fig. 4 -ECG de um cão geriátrico com sindrome urémico, ilustrando taquicardia ventricular (vários complexos ventriculares prematuros seguidos).
|
|