Bem estabelecida na medicina humana, a fisioterapia começa agora a tornar-se num recurso terapêutico cada vez mais importante na profissão veterinária e uma mais valia para a recuperação óptima dos nosso pacientes.
Tendo começado a ser aplicada nos pequenos animais no final do século passado, a fisioterapia aplicada em cães e gatos pretende melhorar a reabilitação pós-operatória, aliviar a dor e preservar a função dos músculos, nervos e articulações, contribuindo assim para melhorar e prolongar a qualidade de vida dos mesmos.
Os principais objectivos são assim eliminar a causa de disfunção, melhorar os sinais clínicos e aliviar a dor que pode inteferir no bem-estar do animal, provocando imunosupressão, inaptência e caquexia e levar ao uso reduzido ou desuso dos membros. Ajuda também a reduzir a inflamação, prevenir ou minimizar atrofias dos músculos, cartilagens, ossos, tendões e ligamentos e por último ajuda ainda na melhoria da função cardiovascular. Quais são os beneficios da fisioterapia? - Melhorar a função e qualidade dos movimentos
- Redução da dor, inchaço e complicações
- Diminuição do tempo de recuperação
- Aumento da força e amplitude de movimentos
- Métodos não-invasivos
- Possíveis custos reduzidos para o proprietário (alternativa a outros tratamentos médicos ou cirúrgicos; menor tempo de internamento, menor incidência de problemas a longo prazo)
- Prevenção de outras lesões
- Decréscimo do uso de AINE´S (anti-inflamatórios não esteróides)
- Plano personalizado para cada paciente
Quais são os casos para aplicação da fisioterapia? - Recuperação pós-cirúrgica: ortopédica e neurológica
- Lesões músculo-esqueléticas (tendinites, bursites, hipomotilidade, fraqueza muscular) e lesões articulares (contracturas, artrite)
- Doença discal, parésia
- Anormalidades da postura (claudicação; assimetria), perda de peso e sua manutenção
- Maneio da dor
- Problemas de circulação e edema, cicatrização de feridas
- Problemas de performance no cão de utilidade e desporto (agility, busca e salvamento, pistagem, entre outros)
- Complicações cárdio-respiratórias
- Animais geriátricos
Numa primeira fase é feita uma identificação completa do animal (raça, idade, peso, estilo de vida) e é feita a recolha do máximo de informação disponível sobre o mesmo.
Segue-se então um exame subjectivo onde é considerado o diagnóstico médico, a queixa principal e duração da sintomatologia, bem como a história de doença pregressa e a história de doença actual. O exame objectivo é então realizado dividindo-se numa inspecção dinâmica (movimentos, deambulação, compensações) e estática (assimetrias, diferenças de volume, deformidades, descolorações, feridas). Finalmente é feito um exame físico que compreende a palpação dos vários tecidos e eventual medição dos mesmos (perímetro, amplitude).
Após esta primeira fase chega-se então a um diagnóstico terapêutico estabelecendo-se um plano de tratamento (com os respectivos recursos a utilizar e o tempo de utlização de cada um) com os objectivos a alcançar.
Recursos Fisioterapêuticos
A variedade de modalidades fisioterapêuticas possibilitam que se possa orientar o tratamento de modo a escolher o mais adequado para a condição de cada paciente e proprietário, em associação também com o eventual tratamento médico ou cirúrgico, de forma a garantir um cuidado optimizado para cada caso.
Mesmo que não se disponha de muito equipamento para a realização da terapia, é importante salientar que mesmo uma intervenção mínima pode acelerar a reabilitação e/ou melhorar o maneio da dor, pelo que vale sempre a pena integrar a fisioterapia nos protocolos de tratamento.
Como se verá mais à frente, alguns dos recursos existentes são facilmente realizáveis e pouco dispendiosos podendo fazer a diferença na recuperação do paciente. Existem outros recursos que não serão aqui descritos por não serem tão frequentemente utilizados como a terapia com laser e ultra-sons.
|