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CATARATAS – 10 ASPECTOS IMPORTANTES A SABER 1. A catarata, independentemente da causa e dimensões, é uma opacidade do cristalino que afecta a visão em maior ou menor grau; 2. Assim que detectada, está indicada a intervenção cirúrgica, bem como a realização de um perfil bioquímico geral (em especial a mensuração de cálcio e glicose séricos), para detecção de doença subjacente. Excepções constituem cataratas tipicamente congénitas que devem ser apenas classificadas como tais por um Médico Veterinário oftalmologista; 3. Quanto mais precoce a intervenção cirúrgica, maior o sucesso da mesma: ex. a cirurgia de cataratas imaturas apresenta um sucesso de 95-98%, que pode descer para até 50% ou menos em hipermaturas; 4. As cataratas intumescentes (como as associadas aos Diabetes Mellitus) ou as traumáticas, constituem urgências cirúrgicas – assim que o animal esteja clinicamente estável para ser anestesiado, é de intervir imediatamente. As complicações que podem surgir a posteriori (ex. ruptura da cápsula do cristalino ou uveíte facoclástica) podem tornar o olho invisual per si; 5. Cataratas unilaterais ou cataratas com diferentes graus de maturidade nos dois olhos: não é de esperar que a menos matura progrida – operar imediatamente os dois olhos; 6. Os cães de raças predispostas ou nas quais esteja descrita hereditariedade, se destinados a reprodução, devem ser submetidos a um exame oftalmológico completo. Nos gatos isto não se aplica pois as cataratas nesta espécie ocorrem maioritariamente como consequência de uveíte; 7. A idade avançada não é uma doença nem deve constituir contra-indicação para a cirurgia. A qualidade de vida do animal diminui com a cegueira. Qualquer proprietário deverá ser devidamente informado para esta situação, ainda que para o animal lhe reste apenas 2-3 anos de esperança de vida (não esquecer que 2-3 anos na vida de um animal corresponderão a cerca de 20-25% da vida do animal). Para além do mais, a cegueira impede o exercício regular e actividade normal o que pode contribuir para a manifestação precoce de outras doenças, nomeadamente as ortopédicas e comportamentais, como a senilidade precoce; 8. Todos os animais são candidatos a uma cirurgia de cataratas? Não. Como para qualquer outra cirurgia, deve ser avaliado o risco anestésico. Para além disso, constituem factores essenciais: - boa cooperação e disponibilidade dos proprietários em administrar os medicamentos (muitas vezes requerem medicação ocular para o resto da vida); - boa cooperação por parte do animal: animais agressivos cujos proprietários não lhes consigam administrar medicação ocular, não são candidatos cirúrgicos; - passar nos exames oculares prévios: ecografia ocular e electrorretinografia. Muitos dos animais têm cataratas devido a doenças da retina e que já se encontram cegos. Estes animais não são candidatos a uma cirurgia de cataratas. Por vezes, a retina pode estar já descolada e exibirem reflexos de luz e pupilares normais; como tal, estes dois exames realizados em conjunto no dia prévio da cirurgia são fundamentais para que se possa estabelecer um prognóstico e uma indicação adequados da realização da mesma cirurgia; 9. Como se realiza a cirurgia de cataratas em Medicina Veterinária: Exactamente da mesma forma que em Medicina Humana. É utilizado um facoemulsificador que emite ultra-sons e destrói o conteúdo do cristalino aspirando-o em simultâneo. Depois, é aplicada uma lente intra-capsular para compensar as dioptrias. Sem esta lente, a visão do animal é tão reduzida que quase não é compensatório para o mesmo ser intervencionado cirurgicamente. 10. O sucesso da cirurgia de cataratas depende essencialmente de:
E SE O MEU ANIMAL NÃO FOR CANDIDATO A CIRURGIA DE CATARATAS OU O PROPRIETÁRIO OPTAR POR NÃO O FAZER? Em qualquer uma destas situações, o seu animal deve ser regularmente acompanhado em consultas de oftalmologia periódicas. A presença de uma catarata predispõe ao aparecimento de inflamações intra-oculares (uveítes), glaucoma, descolamento da retina e luxação do cristalino. Todas estas alterações envolvem a existência de dor e desconforto para o animal, que, se devidamente acompanhado, pode ser minimizada e corrigida. |
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